GOLOMGUINÉ
Futebol. Reflexão. Reconciliação.
Em GolomGuiné, o futebol
não termina no apito final.
Cada jogo abre espaço para debate,
escuta e aprendizagem coletiva sobre regras,
justiça, igualdade, perdão e responsabilidade
entre rapazes e raparrigas da comunidade.
Entre faltas, passes e debates,
surgem perguntas sobre respeito,
liderança, participação e convivência.
O QUE É GOLOMGUINÉ?
“Uma metodologia popular e prática de construção da paz e transformação da sociedade através do jogo.”
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“GolomGuiné transforma o jogo em espaço de diálogo entre géneros, gerações e comunidades.”
O Golombiao nasceu na Colômbia como uma modalidade de futebol reflexivo baseada na participação, igualdade e diálogo. Descubra como o Golombiao foi adaptado à realidade guineense, clicando nas imagens da caminhada:
2022 JOGOS ENTRE DELEGADOS E DELEGADAS DO CONSELHO DE PAZ
O futebol já fazia parte, de forma informal, dos encontros do Conselho de Paz muito antes da chegada do Golombiao. Delegados de diferentes regiões pediam regularmente momentos de jogo durante os encontros, mesmo quando o programa já era intenso. Essas partidas ajudavam a criar convivência, integração e descontração entre pessoas de diferentes gerações, permitindo inclusive que participantes com mais de 40 anos entrassem em campo. Ao mesmo tempo, os jogos reproduziam frequentemente desigualdades presentes também na sociedade: os homens ocupavam naturalmente o centro do jogo, enquanto muitas delegadas viviam pressão para acompanhar o ritmo físico e competitivo masculino, lidar com comentários, brincadeiras ou aceitar silenciosamente o papel de “boas perdedoras”.
Foi neste contexto que, durante o 16ºConselho de Paz, realizado em fevereiro de 2022 em Quinhamel (Região de Biombo), a Equipa Técnica do Projeto Fórum de Paz introduziu a metodologia do Golombiao como parte oficial do programa pedagógico do encontro. As regras do jogo procuravam equilibrar oportunidades dentro das equipas e transformar o futebol num espaço de participação coletiva, cooperação e alegria partilhada entre homens e mulheres.
A experiência provocou imediatamente fortes reações e debates. Muitas delegadas descreveram o jogo como a primeira vez em que sentiam possuir uma função reconhecida e decisiva dentro da equipa. Ao mesmo tempo, o Golombiao também tornou visíveis desconfortos, resistências e inseguranças — sobretudo quando mulheres passaram a ocupar posições centrais em momentos decisivos da partida.
A intensidade das reflexões após os jogos levou o Golombiao, mais tarde adaptado como GolomGuiné, a tornar-se parte permanente dos encontros do Conselho de Paz até hoje.
TRANSFORMANDO GOLOMBIAO EM GOLOMGUINÉ
Futebol, convivência e educação para a paz
O GolomGuiné inspira-se no Golombiao – El Juego de la Paz, metodologia desenvolvida na Colômbia com apoio da UNICEF para promover convivência, igualdade e resolução pacífica de conflitos através do futebol.
A proposta diferencia-se do futebol competitivo tradicional:
- equipas mistas;
- regras construídas coletivamente;
- ausência de árbitro clássico;
- valorização do respeito, diálogo e cooperação;
- reflexão coletiva após os jogos.
Inspirado por esta experiência, o CTO-Bissau/Fórum de Paz adaptou a metodologia ao contexto guineense. A iniciativa começou em 2022 com o nome Golombissau e evoluiu para GolomGuiné, integrando práticas de educação popular, mediação comunitária e educação civica.
Por respeito à origem da metodologia e aos seus direitos associados, CTO/Fórum entrou em contacto com responsáveis do Golombiao e da UNICEF Colômbia. Na carta enviada, o CTO/Fórum reconheceu explicitamente a inspiração colombiana, explicou a adaptação local e solicitou autorização ética para continuar utilizando a metodologia adaptada na Guiné-Bissau.
A única resposta recebida até agora foi a confirmação de encaminhamento do pedido ao departamento responsável. Ainda assim, o compromisso permanece: reconhecer sempre a origem colombiana do Golombiao.
Desde 2022, o GolomGuiné foi utilizado em Conselhos de Paz, torneios juvenis interpartidários, formações do Fanadu di Cidadania, atividades da Radio Bemba di Malafo e jogos-piloto em escolas de todas as regiões da Guiné-Bissau.
2022 FORMAÇÃO DE INQUIRIDORES PARA O ESTUDO: UDJU RIBA DI NÔ VOTU
Em 2022, o CTO-Bissau/Fórum de Paz organizou nove oficinas regionais para formar cerca de 200 Kumpuduris di Paz responsáveis pela realização do estudo “Udju riba di nha votu”, que posteriormente recolheu 3646 entrevistas junto de eleitoras e eleitores em todo o país.
A formação combinou investigação participativa, educação popular e exercícios práticos de reflexão coletiva. Em vez de uma preparação puramente técnica, os/as participantes viveram metodologias ligadas à participação democrática, cooperação, análise crítica e tomada coletiva de decisões.
Entre os temas trabalhados destacaram-se:
- pertenças herdadas e escolhidas, bem como desenvolvimento pessoal, coletivo e nacional;
- implementação concreta de ideias e processos democráticos;
- participação das mulheres nos espaços de decisão política;
- dinâmicas de competição, manipulação e falsas promessas eleitorais;
- princípios democráticos, funcionamento institucional e papel do poder executivo.
O GolomGuiné teve um papel central neste processo. Através das regras cooperativas do jogo — equipas mistas, construção coletiva de regras e avaliação partilhada — os/as participantes refletiram na prática sobre igualdade de género, respeito mútuo e responsabilidade coletiva.
O jogo foi associado a debates sobre justiça, inclusão e participação das mulheres nos processos eleitorais e na vida pública. As dinâmicas permitiram analisar critérios de eleições “livres, transparentes e justas”, relações entre regras e poder, bem como desigualdades presentes na sociedade guineense. Tratando-se de grupos adultos, muitas vezes acima dos 30 anos, a experiência produziu debates intensos sobre género, democracia e responsabilidade coletiva.
O processo demonstrou que educação cívica, investigação participativa e construção de paz podem caminhar juntas através de metodologias práticas e culturalmente apropriadas.