Elia e Arame são duas localidades vizinhas e com populações condenadas a viver juntas. Habitadas
maioritariamente pelas pessoas de etnia Baiote, um
dos mais conservadores das identidades culturais
dos grupos étnicos do país, a par dos Felupes e
Bijagós.
Distam 7 km do inicio da secção de Suzana e, aproximadamente, 30 quilómetros da sede do
Sector. As principais atividades económicas dos
seus habitantes são a agricultura, a pesca e
exploração dos recursos florestais como palmeirais
e frutos silvestres, com uma população estimada
em cerca de 10.000 habitantes.
De acordo com a constatação do GKP Suzana em Julho de 2015, estas localidades:
Têm sido afectados os laços de amizade e boa vizinhança;
As boas relações entre as comunidades das aldeias de Elia e Arame foram danificadas;
Prevalece um alto nível de medo e de rancor;
Assistiu-se o fim das trocas comerciais ou intercâmbio dos produtos entre as duas aldeias;
Acabaram os intercâmbios culturais e desportivos entre jovens;
A livre circulação de pessoas e bens entre as populações das duas Aldeias ficou afectada;
Foram proibidas as cerimónias de casamentos entre os rapazes e raparigas das duas aldeias, e vice – versa;
A diminuição do crescimento económico das duas aldeias e das aldeias arredores;
O registo de conflitos de interesses pela recolha ou exploração da palha de cobertura das casas, da castanha de caju e outros produtos;
O GKP de Suzana em 2016 planificou e realizou:
Dois encontros djumbai de sensibilização e de auscultações em separado nas tabancas de Elia e de Arame com os Comités, o Régulo, os responsáveis juvenis e pessoas de reconhecidas influências;
Realizou também em Suzana sede de Secção, dois encontros djumbai colocando no mesmo espaço as entidades Administrativas, individualidades referidos antes com reconhecidas influências, representantes das partes em conflito, representação juvenil das duas comunidades, associação dos Filhos e Amigos da Secção de Suzana ONENORAL em língua Felupe e que em português “ Ajudemo-nos mutuamente, sob a organização do UTCHOOKORAL.
Na sequência deste encontro djumbai que envolveu deferentes entidades, surgiu o assunto ligado a necessidade da mudança da comunidade de Djobel que corre o perigo de suas terras ficarem submersas devido a subida da água do mar.
Na base das atividades realizadas, em diferentes níveis e em conjunto, as comunidades e as entidades envolvidas das aldeias de Elia e de Arame, falaram abertamente dos casos que resultaram no desentendimento até aqui verificado, mas não limitaram apenas a falar dos problemas. Apresentaram as ideias que se forem bem encaradas e trabalhadas podem ajudar em melhorar os danificados laços de vizinhança, de parentesco e de fraternidade antes existentes, como as que se pode ler nas propostas para possíveis soluções em baixo.
Com base nas transformações que se tenciona a volta deste conflito, os participantes em diversas oportunidades de debate criado no âmbito deste processo de mediação e transformação pacífica deste conflito comunitário, aconselham:
Ponderar a possibilidade da formalização das novas delimitações dos espaços após ser alcançado o consenso entre as comunidades perante as autoridades administrativas do Sector;
Devido à natureza e as implicações que neste conflito se assiste, em jeito de resumo dos acontecimentos registados no processo de mediação e na tentativa de transformação pacífica do que se refere, revela-se:
Que seja continuado os trabalhos adicionais aos até aqui feitos pelo GKP e de mais entidades envolvidas na busca de solução para este desentendimento, envolvendo todos os implicados, direta ou indiretamente;
Que as entidades estatais (forças de defesa e segurança, Administração do Sector, Ministério da Justiça através do tribunal do sector e provincial), as ONG´s que atuam na zona, o poder tradicional, as entidades religiosas, as associações de base e de mais interessados na zona com residência fixas ou não fixas, se
envolvam a volta do assunto de modo que o conflito pode se resolver de forma sustentável e com possibilidade de longa duração.
Pelos que se referiram como possíveis soluções e na espectativa de verem postas em prática com os objectivos de ver terminado este conflito e sarar as feridas abertas na sequência do seu desenrolar, UTCHOKORAL enquanto mediador e transformador dos conflitos de forma pacífica deixam as seguintes sugestões: