Quando a fé divide: muçulmanos em divergência em Bafatá

BAFATÁ: CONFLITO INTRARRELIGIOSO E INTRAFAMILIAR

Estado: INATIVO
Última avaliação: 2025/10/16

CONTEXTO

Análise inicial da situação de conflito

A proliferação das Mesquitas que na sua maioria são financiadas pelos guineenses de Conacri, assim como o aumento de uso dos véus fechados por parte das mulheres de imigrantes da Guiné-Conacri, está criando intolerância e desconfiança entre os Muçulmanos e fiéis das diferentes mesquitas na cidade de Bafatá.

PASSOS DADOS NA MEDIAÇÃO DO CONFLITO

Com base nos critérios de realização de encontros de auscultação e de sensibilização junto das partes em divergência, MODJINGOL GONA, na primeira fase promoveu dois encontros em separado com os líderes das duas alas desavindas, com seus apoiantes, e representantes das outras comunidades residentes em Bafatá, para análise de aspetos relacionados com a construção desorganizada das Mesquitas na cidade de Bafatá.

Foram longas horas de conversas com as partes conflituantes, falando abertamente sobre os reais problemas.

Evolução do conflito identificado (no terreno)

Propostas de solução a nível local

DESFECHO DA MEDIAÇÃO

Foi importante registar melhoria nas relações dos fiéis Muçulmanos (da Guiné Bissau e dos imigrantes da Guiné Conacri). Doravante as autoridades administrativas passarão a assumir as suas responsabilidades no que concerne à construção das Mesquitas.

Os fieis do bairro de Sintchã Bilali retomaram as boas relações, interrompidos por causa do conflito e até estão a participar juntos nas cerimonias religiosas.

Sobre o fenómeno do uso do véu integral islâmico em espaços públicos (a burka) ainda não foram tomadas nem decisões nem medidas.

Recomendações para a solução sustentável a nível nacional

Neste âmbito as partes identificaram as seguintes sugestões de soluções a ter em conta:

  • Incentivar na Assembleia Nacional Popular, a criação de uma lei sobre a convivência pacífica entre as diferentes organizações islâmicas existentes na Guiné-Bissau e as suas vertentes;
  • O Governo deve criar um gabinete de seguimento e controlo dos assuntos religiosos que terá como tarefa fiscalizar a legalidade das diferentes organizações islâmicas e a formação teológica dos seus líderes;
  • Encorajar o governo (através do Ministério da Administração Interna) a adotar uma lei sobre as concessões e construção de edifícios religiosos (mesquitas);
  • Envolver as diferentes organizações islâmicas (Conselho Superior Islâmico, Conselho Nacional Islâmico, Ajures, Conselho de Sábios e União de Imames), na necessidade de encontrar soluções consensuais sobre assuntos religiosos;