09.01
Agricultura, pastagem e paz social no interior de Gabú

DELIMITAÇÕES TERRITORIAIS RURAIS ENTRE ALDEIAS

Estado: INATIVO
Última avaliação: 2025/10/16

CONTEXTO

Na região de Gabú, conflitos recorrentes entre aldeias resultam frequentemente da sobreposição entre agricultura de bolanha e criação de gado. A ausência de delimitações formais e de mecanismos locais eficazes de regulação agrava tensões históricas entre comunidades vizinhas.

A primeira abordagem deste conflito ocorreu no quadro das formações iniciais apoiadas pela ONG DDCC e pelo programa EU-PAANE, com facilitação pedagógica da Equipa técnica do Projeto Mom ku Mom. Foram alcançados avanços importantes na redução das tensões e na retoma do diálogo entre criadores de gado e agricultores.

A fase de seguimento permitiu aprofundar esses resultados, transformando acordos pontuais em bases mais duradouras de convivência e cooperação intercomunitária.

Análise inicial da situação de conflito

Em 2014, Sintchã Tenem e Bambadinca, duas aldeias vizinhas na região de Gabu, estão de costas voltadas amuadas devido um conflito entre criadores de gado e agricultores, ambos disputando um espaço para prática da agricultura e a pastagem.

Com base nas alegações apresentadas, constam que aldeia de Sintchã Tenem não dispõe de um espaço para cultivo de arroz, embora dispondo de uma grande quantidade de gado, ao passo que aldeia de Bambadinca tem vasto campo de cultivo mas não tem gado como os seus vizinhos.

PASSOS DADOS NA MEDIAÇÃO DO CONFLITO

Foi no âmbito dos encontros separados com atores-chaves promovidos pelo GKP de Gabú que, Bádim-Kafó conseguiu convencer as partes desavindas, que não poderia ser alcançando qualquer sucesso na mediação sem antes conseguir a cooperação entre as comunidades.

Resolveram aceitar as propostas apresentadas pelo GKP Gabú no que se refere a desistir das hostilidades e aceitarem dialogar.

Evolução do conflito identificado (no terreno)

Desfecho da mediação em 2014

Depois de os ânimos ficaram menos exaltados entre os criadores do gado e agricultores, conversaram abertamente e reconsideraram as suas posições anteriores.

Apesar da resistência demostrada desde o início pelos moradores de Bambadinca, acabaram por permitir o acesso dos gados dos vizinhos de Sintchã Tenem nas suas terras.

Já não se verificam práticas violentas contra os animais (kutula baka; criar cães agressivos e manda-los morder as vacas). Há uma mudança de comportamento significativa entre as aldeias e participação em mercados rurais (lumos), em casamentos e batismos, e as comunidades vão juntos a mesquita.

Propostas de solução a nível local

DESFECHO DA MEDIAÇÃO

Fase de seguimento e consolidação (2016 a 2018)

De acordo com os relatos que temos, a abordagem através do teatro de oprimido conseguiu ilustrar de forma muito clara a resolução desse conflito envolvendo toda a comunidade na procura de consensos e soluções.

O conflito encenado com a metodologia do Teatro Foro foi apresentado numa das aldeias envolvidas. A língua fula permitiu uma maior aproximação entre Kumpuduris di Paz com a população rural. Houve várias intervenções construtivas, substituindo diferentes personagens oprimidos, propondo alternativas de atuação que podem ajudar resolver o conflito salvaguardando os interesses legítimos e reforçando a união entre as aldeias.

Recomendações para a solução sustentável a nível nacional

No sentido encontrar soluções sustentáveis para o conflito existente, o grupo de Kumpuduris de Paz de Gabú, sugeriu algumas propostas, as quais, em nossa opinião poderão servir como chave para consolidar a clima de paz e concórdia, entre as comunidades de criadores de gado e agricultores:

  • Reforçar as intervenções de sensibilização;
  • O governo através Ministério de Administração Territorial, deverá estabelecer os limites legais entre as tabancas;
  • As autoridades administrativas devem criar termo de referência para os régulos.