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Quando a disputa pela terra ativa linhas étnicas latentes

CONFLITO DE TERRA ENTRE ALDEIAS AIDARA E MUI

Estado: RESOLVIDO
Última avaliação: 2025/10/16

CONTEXTO

Análise inicial da situação de conflito

No sector de Empada as Aldeias vizinhas de Aidará e Mui reivindicam a posse dum campo agrícola (bolanha).

Dessa disputa nasce ódio e desconfiança mútuo entre as duas principais etnias, sendo os Beafadas, anfitriões e os Balantas, hóspedes.

Este conflito mobilizou apoios e alianças étnicas entre duas aldeias vizinhas.

PASSOS DADOS NA MEDIAÇÃO DO CONFLITO

Com o objetivo de resolver as contradições por via de diálogo GKP- Quínara efetuou vários encontros de mediação separados com as duas aldeias, (acompanhadas pelas autoridades administrativas sectoriais.

Na abordagem o G.K.P-Quínara, recorre a:

  • dinâmica do Nó;
  • encenação e apresentação duma peça teatral do Grupo de Teatro do Oprimido de Quínara com o tema Vizinhança, a qual foi encenada a propósito de poder fazer uma abordagem deste conflito.

Evolução do conflito identificado (no terreno)

Propostas de solução a nível local

DESFECHO DA MEDIAÇÃO

Os resultados foram surpreendentes:

  • foi assinado um protocolo de acordo de entendimento entre Aidará e Mui sobre o uso da bolanha.
  • foi também instituída uma comissão local de seguimento e estabelecidas as suas responsabilidades.
  • Hoje há uma boa convivência entre as duas aldeias.
  • caminho que liga as duas aldeias e que já se tinha perdido na vegetação foi reabilitado;
  • A título de exemplo, as crianças da aldeia de Mui podem agora frequentar aulas em Aidará normalmente e as mulheres de aldeia de Aidará também podem vender peixes e sabão em Mui sem problemas – o que antes deixava de acontecer, porque estavam de costas viradas.

Recomendações para a solução sustentável a nível nacional

Recomenda-se de acordo com informações recolhidas após os encontros de sensibilização:

  • Os anfitriões devem conceder o terreno com direito de utilização aos hóspedes na presença das autoridades administrativas;
  • respeito pelas regras antigas de cedência de terra;
  • Os Ministérios das Obras Publicas (DG Cadastro) e da Administração Territorial em parceria com governo regional devem cuidar da definição e formalização da delimitação das zonas limítrofes entre as tabancas;
  • Os Secretários administrativos Sectoriais devem guardar nos seus arquivos os registos de todos os terrenos outorgados;
  • Ministério de Administração Territorial precisa incentivar aos novos administradores a adoção das boas práticas governativas;