Na região de Gabú, conflitos recorrentes entre aldeias resultam frequentemente da sobreposição entre agricultura de bolanha e criação de gado. A ausência de delimitações formais e de mecanismos locais eficazes de regulação agrava tensões históricas entre comunidades vizinhas.
A primeira abordagem deste conflito ocorreu no quadro das formações iniciais apoiadas pela ONG DDCC e pelo programa EU-PAANE, com facilitação pedagógica da Equipa técnica do Projeto Mom ku Mom. Foram alcançados avanços importantes na redução das tensões e na retoma do diálogo entre criadores de gado e agricultores.
A fase de seguimento permitiu aprofundar esses resultados, transformando acordos pontuais em bases mais duradouras de convivência e cooperação intercomunitária.
Em 2014, Sintchã Tenem e Bambadinca, duas aldeias vizinhas na região de Gabu, estão de costas voltadas amuadas devido um conflito entre criadores de gado e agricultores, ambos disputando um espaço para prática da agricultura e a pastagem.
Com base nas alegações apresentadas, constam que aldeia de Sintchã Tenem não dispõe de um espaço para cultivo de arroz, embora dispondo de uma grande quantidade de gado, ao passo que aldeia de Bambadinca tem vasto campo de cultivo mas não tem gado como os seus vizinhos.
Foi no âmbito dos encontros separados com atores-chaves promovidos pelo GKP de Gabú que, Bádim-Kafó conseguiu convencer as partes desavindas, que não poderia ser alcançando qualquer sucesso na mediação sem antes conseguir a cooperação entre as comunidades.
Resolveram aceitar as propostas apresentadas pelo GKP Gabú no que se refere a desistir das hostilidades e aceitarem dialogar.
Desfecho da mediação em 2014
Depois de os ânimos ficaram menos exaltados entre os criadores do gado e agricultores, conversaram abertamente e reconsideraram as suas posições anteriores.
Apesar da resistência demostrada desde o início pelos moradores de Bambadinca, acabaram por permitir o acesso dos gados dos vizinhos de Sintchã Tenem nas suas terras.
Já não se verificam práticas violentas contra os animais (kutula baka; criar cães agressivos e manda-los morder as vacas). Há uma mudança de comportamento significativa entre as aldeias e participação em mercados rurais (lumos), em casamentos e batismos, e as comunidades vão juntos a mesquita.
Fase de seguimento e consolidação (2016 a 2018)
De acordo com os relatos que temos, a abordagem através do teatro de oprimido conseguiu ilustrar de forma muito clara a resolução desse conflito envolvendo toda a comunidade na procura de consensos e soluções.
O conflito encenado com a metodologia do Teatro Foro foi apresentado numa das aldeias envolvidas. A língua fula permitiu uma maior aproximação entre Kumpuduris di Paz com a população rural. Houve várias intervenções construtivas, substituindo diferentes personagens oprimidos, propondo alternativas de atuação que podem ajudar resolver o conflito salvaguardando os interesses legítimos e reforçando a união entre as aldeias.
No sentido encontrar soluções sustentáveis para o conflito existente, o grupo de Kumpuduris de Paz de Gabú, sugeriu algumas propostas, as quais, em nossa opinião poderão servir como chave para consolidar a clima de paz e concórdia, entre as comunidades de criadores de gado e agricultores: