O Bairro de Mindará situa-se numa zona estratégica da cidade de Bissau e integra o espaço do Mercado de Bandim (ou Bandé), o maior e mais complexo mercado urbano do país. Trata-se de um polo central de comércio e circulação económica, frequentado diariamente por comerciantes, transportadores e compradores provenientes de várias regiões da Guiné-Bissau e também de países vizinhos.
A área caracteriza-se por uma elevada diversidade étnica, religiosa e nacional. Para além das comunidades tradicionalmente instaladas no território, nomeadamente a comunidade Papel, o mercado acolhe um número significativo de comerciantes migrantes oriundos de países limítrofes, maioritariamente muçulmanos, cuja presença se consolidou ao longo do tempo em função da dinâmica comercial e da procura de oportunidades económicas.
O crescimento acelerado do mercado e da ocupação urbana em Mindará ocorreu, em grande medida, sem um planeamento fundiário claro e com fragilidades na regulação das construções e na delimitação dos espaços de uso comunitário, religioso e comercial. Esta situação gerou sobreposição de direitos, interpretações divergentes sobre a posse da terra e tensões entre referências tradicionais, interesses económicos e práticas religiosas distintas.
É neste contexto de pressão urbana, coexistência de comunidades locais e migrantes, fragilidade institucional na gestão do solo e forte carga simbólica associada aos espaços de culto que surge o conflito em causa, assumindo uma dimensão simultaneamente fundiária, inter-religiosa e socioeconómica, com impactos diretos no funcionamento do mercado e na convivência comunitária.
Após a divulgação deste conflito pelas mídias nacionais e locais, foram conhecidos e abordados pelo GKP Finka Firkidja os seguintes factos iniciais:
Ameaças de vingança da comunidade muçulmana comerciante, na tentativa de fazer a justiça com a suas próprias mãos;
Logo que o GKP FINKA FIRKIDJA tomou conhecimento deste conflito teve a percepção da sua dimensão étnica e religiosa. Seu alargamento podia provocar implicações e consequências graves para as atividades económicas e comerciais, de pessoas que usam a mesma zona de mercado. O Finka Firkidja viu a necessidade da urgência da sua mediação. Daí realizou:
No terreno contactou-se as partes envolvidas no conflito, os associados e as direcções das associações de base filiais. Observados os acontecimentos que colocam de costas voltadas as comunidades tradicionais, baloberu papel e os comerciantes na localidade de Krim no Bairro de Mindará numa das zonas do mercado de Bandim, registaram-se os seguintes factos:
Foram apresentadas as seguintes propostas de solução para o desentendimento entre os baloberus papéis e os comerciantes, na localidade de Krim, num dos espaços do mercado de Bandim no Bairro de Mindará:
Dos trabalhos levados a cabo pela ONG FINKA FIRKIDJA, chegou-se a seguintes resultados:
Para a solução sustentável desse conflito o Finka Firkidja recomenda: