O sector de Canchungo devido a sua situação geográfica, com uma população predominante da etnia Manjaca, cujas principais atividades económicas tem sido a agricultura, a criação dos animais e a exploração dos palmares, com grande movimento das pessoas e bens, vem funcionar como um dos centros de grande atividade comercial na região de Cacheu.
Nas últimas décadas tem atraído o fluxo da imigração de pessoas dos países vizinhos, nomeadamente Senegal, Mauritânia, Mali, Nigéria e Guiné Conacri, que para alem de exercerem as atividades comerciais com intuito de angariar meios económicos para a integração, subsistência e para as remessas ao país da origem, também praticam as atividades religiosas conjuntamente com as comunidades residentes.
O processo de integração destas comunidades em Canchungo tem criado muita inquietação, em alguns casos pelo desrespeito as leis e normas do país, a dificuldade de coabitação com os lideres religiosos anfitriões, as autoridades tradicionais e a sociedade em geral, o que se manifestou no polémico assunto do uso de véus faciais.
Durante o Curso básico foram identificadas as seguintes consequências visíveis das contradições internas da comunidade islâmica assim como das ameaças a paz religiosa na cidade de Cantchungo:
Com base nos mesmos critérios de realização de encontros djumbai de auscultação e de sensibilização junto das partes em divergência e a comunidade sobre a necessidade da promoção e clima de convivência sã, entendimento e fraternidade, BAETCHAN PLENTCHE, prosseguiu os seus trabalhos em Canchungo, sendo localidade identificada como palco de divergencia das partes desavindas.
BAETCHAN PLENTCHE realizou em Canchungo dois encontros djumbai de auscultação e de sensibilização sobre a necessidade da tolerância e boa convivência religiosa, respeito pelas leis do país, assim como a possibilidade de encontrar uma solução pacífica para a divergência que opõe as entidades religiosas do sector de Canchungo e da Região de Cacheu.
Os encontros igualmente visavam:
O clima de desconfiança e de desentendimento que colocava de costas voltadas ao Aladji Suleimane Djalo e Aladji Mamadu Mané, foi ultrapassado na sequência da dinâmica das cordas que acabou por juntar de forma espontânea e inesperada esta duas figuras que não se davam bem na mesma corda sendo cada um agarrar uma ponta da corda, fruto desta coincidência as partes desavindas comprometeram em trabalhar junto e afastar o diferendo.
De acordo com os encontros realizados para se inteirar “in loco” dos reais problemas que colocam em desavença a comunidade Islâmica de Sector de Canchungo, o GKP conclui que:
No decorrer dos trabalhos de mediação o grupo descobriu que era de âmbito regional não sectorial. No que tange aos passos dados e em conformidade com as opiniões recolhidas, ficaram em evidencia que:
O ato que marca o desfecho da Divergência Intra- e Inter-religiosa foi a sessão realizada em Cacheu no dia vinte e seis de Outubro de 2016 na presença das Autoridades Administrativas da Região e dos Sectores, Poder Tradicional, Organizações da Sociedade Civil, Associações de Base, Responsáveis Máximos da Comunidade Islâmica do País (CSI e CNI), Imames das diferentes mesquitas dos sectores da Região de Cacheu, Representantes das diferentes Igrejas, a equipa técnica do Projecto SCP 668 – Fórum de Paz e entre outras personalidades presentes.
O ato teve como um dos momentos altos a dinâmica das cordas e culminou com assinatura do Memorando de Entendimento entre as partes desavindas, testemunhadas pelo Governador da Região de Cacheu Rui Gonçalves Cardoso, pelos representantes dos dois Conselhos Islâmicos e outros assinantes, sob a organização do GKP de Cacheu – Canchungo BAETCHAN PLENTCHE, com o importantíssimo apoio material e financeiro do governador da Região.
Como previsto, o BAETCHAN PLENTCHE, continua ligado ao processo, prosseguindo com os trabalhos de seguimento da implementação dos acordos conseguidos.
Como sugestão as autoridades do país o GKP de Cacheu – Canchungo, deixou os seguintes: