A Associação dos filhos de Tame, abreviada por ASSOFITA, com sede na localidade de Tame a dez quilómetros de distância da cidade de Canchungo no troço Canchungo-Caió, é uma associação apartidária e sem fins lucrativos, criada na década de oitenta pelos emigrantes desta localidade, residentes na diáspora, com o objectivo de angariar fundos derivados das suas contribuições/quotas e das organizações parceiras, para ajudar na resolução de problemas sociais, nomeadamente da educação, saúde, água e vias de acesso (estrada) que esta comunidade enfrenta dia a dia.
A ASSOFITA foi, sem margem de dúvidas, uma das mais destacadas organizações sociais a atuar no sector de Canchungo, que fez nascer a primeira escola na localidade de Tame que viria a acolher mais de 1200 crianças de primeiro ao nono ano de escolaridade.
Em parceria com a sua congénere de Canhobe, as organizações reabilitaram o troço que liga Tame-Canhobe, uma distância de cerca de dez quilómetros, com fundos próprios.
No quadro do Curso básico para Kumpuduris di Paz foram identificados alguns aspetos visíveis, alegações internas e consequências do conflito, que punham em perigo a boa reputação da ASSOFITA e ameaçaram severamente a funcionalidade da escola e portanto o acesso a educação em Tame:
Com objetivo de reconstruir a colaboração entre todos os associados e atingir a refluência dos alunos e professores, ficou retida a necessidade de facilitar a comunicação entre as partes envolvidas no conflito propícia para elaborarem um Regulamento Interno capaz de garantir a independência partidária e religiosa e fixar as delimitações entre a Associação e a
escola, fazê-lo rever por um jurista e aprova-lo em Assembleia.
Com base nos critérios de realização de encontros-“djumbai“ de auscultação e de
sensibilização junto das partes em divergência, BAETCHAN PLENTCHE, na primeira fase, promeveu dois encontros em separado com os lideres das duas alas, seus apoiantes, e representantes da comunidade em Tame, para verificar e orientar-se por cenários que oferecem hipóteses e objetivos para a mediação.
Após longas horas de conversas bem animadas com os participantes, confiantes pelas abordagens feitas e metodologias utilizadas, falando abertamente sobre os reais problemas da organização e das iniciativas antes feitas para resolver a crise, revela-se a problemática por eles vivida.
Assim o GKP registou:
Fruto dos trabalhos realizados, as partes apontam como soluções para pôr fim à luta de liderança, os seguintes:
Apartir das propostas feitas por parte das pessoas em conflito, seus apoiantes e demais participantes dos trabalhos de auscultação sensibilização e mediações levadas a cabo pelo GKP BAETCHAN PLENTCHE, várias diligências foram tomadas com intuito de realizar o tal encontro que marcou o fim do conflito. Tal como sugerido, o encontro juntou as partes
desavindas, assim como as entidades e pessoas apontadas como de presença necessária.
No ato que marca o fim do Conflito da Liderança da ASSOFITA em Tame, a Parábola “A TABUA DA PACIÊNCIA” contada pelo Kumpudur Humberto Tavares, marcou o inicio das atividades e das intervenções. A começar por Osvaldo Uperam Mendes, Presidente da Antiga Direção de ASSOFITA, disse que a parábola quer mostrar que não havia necessidade de continuarem com o problema, uma vez que estão a lutar para os mesmos objectivos.
De igual modo, Bernardo Gomes, Presidente da Direcção Actual da ASSOFITA, tomou a palavra e assegurou que o sinal do prego ou a marca deixada na tábua vai servir-lhe de lição na vida e concluiu também que já basta o tempo que andaram de costas viradas, falou da necessidade de existir uma diferença entre a liderança de ASSOFITA e Directoria da Escola e manifestou a sua desistência a liderança da Associação e igualmente revelou disponibilidade
em colaborar com o seu antecessor, ideia igualmente defendida pela maioria dos presentes.
Posto isto, Osvaldo Upera Mendes, satisfeito com a recuperação da liderança, prometeu fazer voltar os bens da ASSOFITA que tinha na sua posse nomeadamente o dinheiro na conta bancária e a máquina de descasque de arroz.
O momento mais marcante do encontro foi de assinatura do memorando de entendimento e de aperto das mãos entre Bernardo Gomes e Osvaldo Opera Mendes que andaram distantes um do outro naquela comunidade durante muito tempo.
Roberto Mendes, Assistente do Centro de Acesso a Justiça de Canchungo, que testemunhou o acto formal da assinatura do Memorando de entendimento felicitou as partes reconciliadas e apelou-as no sentido de unirem esforços para o bem da Comunidade de Tame.
Palavras de encorajamento às partes reconciliadas e participação no desenvolvimento da Comunidade de Tame foram tecidas pelo Kumpudur Eusébio da Costa, membro do BAETCHAN PLENTCHE, quem prometeu o acompanhamento das ações futuras da ASSOFITA
e aplicação do acordo conseguido, palavras que marcaram o fim dos trabalhos e do conflito de liderança na Associação dos Filhos de Tame.
O evento culminou com a foto família a frente do Complexo Escolar Tomás Nanhungue de Tame.
Baseando nas aprendizagens ganhas durante o acompanhamento das partes neste conflito, assim como nas conclusões retidas em encontros de intercâmbio de experiencias entre as organizações congéneres do Fórum de Paz, o GKP BAETCHAN PLENTCHE quer deixar as suas sugestões para a resolução sustentável das contradições verificadas durante o processo de mediação em Tame, afim que este conflito proporcione elementos importantes a implementar nas politicas publicas em prevenção de futuros conflitos da mesma natureza.