KUMPU KOMBERSA MEDIAÇÃO POPULAR

As mediações aqui apresentadas integram um percurso formativo e prático desenvolvido no âmbito da primeira fase do projeto Fórum de Paz (2015 a 2018), com os Kumpuduris di Paz como protagonistas centrais. Cada caso documentado resulta de um processo estruturado de aprendizagem, ação no terreno e reflexão coletiva, concebido para reforçar capacidades locais de prevenção, mediação e transformação pacífica de conflitos.

Todas as mediações tiveram início no curso básico de formação, onde os participantes aprenderam a analisar conflitos a partir do seu contexto social, económico, cultural e institucional. A partir dessa base comum, os conflitos foram depois trabalhados de forma autónoma pelos grupos regionais, que assumiram a condução dos contactos no terreno, a auscultação das partes envolvidas e a construção progressiva de propostas de solução. Ao longo desse percurso, os grupos contaram com o acompanhamento da equipa técnica do projeto, sobretudo a nível metodológico e de conteúdo, bem como com apoios financeiros mínimos, destinados a cobrir custos essenciais de deslocação, transporte e despesas administrativas.

GKP TEBANKI
INATIVO
Processo de mediação entre duas tabancas bijagós para conter violência, restaurar diálogo e criar bases de convivência duradoura.
INATIVO
Conversas difíceis, decisões partilhadas e regras claras para proteger lugares sagrados e o ambiente.
INATIVO
Processo de mediação para resolver conflitos de herança, proteger direitos de viúvas e crianças e restaurar a coesão intrafamiliar.
INATIVO
Processo de mediação entre população local, pescadores e gestão do parque para clarificar regras, reduzir tensões e fortalecer a co-gestão ambiental.
INATIVO
Auscultação local e ações graduais para conter práticas destrutivas, apoiar reintegrações e reativar dinâmicas comunitárias.
INATIVO
Auscultação multilateral e concertação local para ordenar a gestão de bens comuns e estabilizar a governação comunitária.
INATIVO
Processo de mediação para superar desentendimentos de longa duração, reabrir acessos comuns e restabelecer a convivência entre comunidades.
PERIGO
Intervenção dos Kumpuduris di Paz para estruturar diálogo, organizar reivindicações e reforçar a defesa dos bens comuns.
INATIVO
Auscultação comunitária e concertação local para superar desentendimentos institucionais e proteger o funcionamento regular da escola.
PERIGO
INATIVO
Auscultação multilateral e concertação institucional para reduzir sanções, recuperar receitas e normalizar a vida desportiva local.
RESOLVIDO
Auscultação multilateral e concertação local para superar tensões entre comité, associação de herdeiros e comunidades refugiadas.
RESOLVIDO
Auscultação, mediação e redelimitação concertada de espaços urbanos com envolvimento da administração local.
INATIVO
O que começou como disputa virou reconciliação: diálogo, comunidade e mediação devolveram dignidade, trabalho e convivência a N’Tabléc.
INATIVO
Processo de mediação para reduzir riscos fatais, restaurar a confiança comunitária e compatibilizar proteção da fauna com meios de subsistência.
RESOLVIDO
Processo de mediação que pôs fim à crise de governação da ASSOFITA, restaurou a gestão da escola e protegeu a associação da partidarização.
INATIVO
Processo de mediação comunitária sobre um conflito fundiário histórico, marcado por disputas territoriais, decisões judiciais e necessidade de recadastramento.
INATIVO
Entre divergências religiosas e sociais, a mediação ajudou a reconstruir pontes e restaurar a confiança comunitária em Canchungo.
PERIGO
Armas, vigilância comunitária e desconfiança marcam o quotidiano na margem Sul do rio de Cacheu. O roubo de gado força comunidades a reinventar a proteção coletiva.
INATIVO
Disputas pela terra em Djol revelam falhas de gestão fundiária e tensões interétnicas. O GKP promove diálogo e respeito pelo poder tradicional.
INATIVO
Ataques, destruição de bens e disputas fundiárias marcaram o conflito entre Sintchã e UOK. A mediação comunitária atingiu os seus limites.
INATIVO
Tradição, medo e fé cristã dividiram uma família. O diálogo mediado trouxe segurança, respeito mútuo e reconciliação em Ondame.
RESOLVIDO
A construção de uma igreja num espaço sagrado dividiu Quita. A mediação abriu caminho para o respeito às tradições e à convivência religiosa.
RESOLVIDO
Um conflito por terra e caju abalou relações familiares em Quissete. A mediação ajudou a redesenhar limites e restaurar a confiança.
RESOLVIDO
Em Blim-Blim Ajur, a disputa interna afetou água, microcrédito e confiança. O diálogo mediado reestruturou a gestão e salvou o projeto.
INATIVO
Conflito de posse de terra em Antula expôs falhas urbanísticas e tensões étnicas. O processo mediado ajudou a restabelecer a boa vizinhança.
PERIGO
Emissões da Rádio Luz levantam tensões religiosas em Míssira e colocam em causa o papel regulador do Estado e das entidades da comunicação social.
RESOLVIDO
Um conflito interno na Rede Juvenil do Bairro Militar expôs fragilidades estatutárias, perda de confiança e a necessidade de mediação institucional.
INATIVO
Mindará mostra como terra urbana, comércio informal e diversidade religiosa se cruzam num mercado marcado por migração regional, tradição e disputas de legitimidade.
RESOLVIDO
Um conflito ligado à gestão da luz elétrica em Farim revelou fragilidades na administração do bem comum. O processo de mediação abriu caminhos para soluções partilhadas.
INATIVO
A alienação de terras comunitárias sem consenso desencadeou expulsões, medo e um processo judicial, fragilizando a convivência interétnica em Mansoa.
PERIGO
Em Nhacra, o conflito por bolanha expõe rivalidades antigas, acesso desigual à água e a fragilidade dos mecanismos locais de resolução de conflitos
RESOLVIDO
Conflito de liderança em Mansabá revela limites da gestão associativa sem diversidade e diálogo. Compromisso aponta para assembleia geral e reformas internas.
INATIVO
Em Bissorã, vendas múltiplas de terrenos fragilizaram a confiança entre comunidades. A mediação definiu limites, preveniu violência e reforçou regras antigas de cedência.
INATIVO
Em Bafatá, divergências entre fiéis locais e imigrantes da Guiné-Conacri revelam fragilidades na gestão das mesquitas e na convivência religiosa.
RESOLVIDO
O conflito interétnico em Ganadu revelou fragilidades na gestão da reinança tradicional, superadas com diálogo, memorando e reabilitação das hortas.
RESOLVIDO
Em Sinthã Nharido, um conflito hereditário foi transformado através da mediação, do Teatro do Oprimido e do respeito pela equidade de género.
RESOLVIDO
Mandatos caducados, divisão interna e contestação à nomeação central marcaram o conflito no CRJ de Bafatá, mediado com vista a eleições legítimas.
INATIVO
A mediação do GKP permitiu ultrapassar hostilidades entre clubes rivais e garantir um jogo decisivo marcado pelo respeito e fair play.
INATIVO
Conflito entre agricultores e criadores de gado em Gabú foi mediado através de diálogo comunitário e acordos práticos de uso partilhado da terra.
RESOLVIDO
A escolha do local de uma escola gerou boicote escolar e tensão intercomunitária. A mediação do GKP Badim-Kafó conduziu a acordo formal e cooperação educativa.
RESOLVIDO
A disputa de bolanha entre Cumpagnhor e Sampaiaia foi transformada em colaboração agrícola. A mediação reforçou a boa vizinhança e a gestão sustentável da terra.
INATIVO
A resistência inicial à mudança do mercado em Gabú deu lugar a soluções negociadas. A mediação promoveu segurança, higiene e aceitação progressiva do novo espaço
INATIVO
Disputa de terreno envolvendo antigas cedências, interesses privados e ausência de resposta administrativa, com impacto duradouro na convivência comunitária.
RESOLVIDO
Em Bedanda, a pastagem nos campos agrícolas alimentou ameaças e violência. A mediação trouxe acordos claros e cooperação entre aldeias.
RESOLVIDO
Um conflito num campeonato local mostrou a importância de regulamentos claros, segurança e mediação para proteger o desporto comunitário.
RESOLVIDO
Em Cacine, tensões intra-islâmicas e interétnicas escalaram para violência. A mediação promoveu limites, respeito e convivência pacífica.
RESOLVIDO
Em Fulacunda, a recusa em aceitar resultados eleitorais fragilizou uma associação juvenil. O diálogo institucional restaurou regras e confiança.
INATIVO
Acusações de parcialidade do régulo e da polícia agravaram o conflito fundiário. O processo mediado permitiu um entendimento duradouro.
INATIVO
A mediação ajudou régulo e administrador a ultrapassar rivalidades e a trabalhar juntos na gestão justa das terras comunitárias.

Cada mediação culminou na elaboração de uma documentação escrita, que sistematiza a análise inicial, os passos dados, as propostas de solução, os resultados alcançados e as recomendações formuladas. Esses dossiês foram formalmente entregues às autoridades administrativas competentes — governadores regionais, administradores de setor, câmaras municipais e outros parceiros locais — como contributo para o seguimento institucional e para eventuais decisões de política pública.

Até ao momento, 54 conflitos e situações complexas de conflito foram documentados. Muitos deles revelam padrões recorrentes em diferentes regiões, como disputas de liderança, conflitos ligados à posse e delimitação de terras, rivalidades religiosas, tensões associadas ao desporto (em particular ao futebol), ou ainda conflitos relacionados com meios de subsistência e restrições ambientais ou de conservação da natureza. Embora a fase formal de mediação tenha sido concluída com a documentação, todos os casos continuam a ser acompanhados e observados pelos Grupos de Kumpuduris di Paz, numa lógica de vigilância comunitária, aprendizagem contínua e responsabilidade partilhada pela paz social.