GKP Utchokooral

O Grupo de construtores de paz da região de Suzana, denominado na língua Felupe UTCHOKOORAL significando “vamos construir em conjunto”, foi criado no âmbito das formações do Projeto Fórum de Paz entre 2015 e 2017, que incluíam fases teóricas e práticas assim como o trabalho em redes.
#Mittel (Utchokooral_CE21)

A organização é constituída através de uma seleção de pessoas vindas de diferentes associações locais de base, contando com professores e jornalistas, responsável dos Comités da Secção, Pastor Evangélico e representantes de AOFASS.

UTCHOKOORAL dispõe de um Grupo de Teatro dos Oprimidos. UTCHOKOORAL mantem laços de cooperação com os GKP Balampe Bafer/SãoDomingos e Baetchan Plentche da margem sul da Região de Cacheu.

Esta organização atua na seguinte área administrativa:

Canoa amarela

Estruturas sociais atuais

A Assembleia Geral Ordinária, realizada aos 20 dias do mês de Outubro de 2024 em Suzana, concedeu um mandato de dois anos aos titulares das seguintes estruturas:

Canoa verde

Conselho de Coordenação

Presidente:
Zé Siboblesen Djeme
Vice-Presidente:
Riomesia Djata
Secretário:
Gabriel Caiok Badjan

Canoa vermelha

Coordenação

Coordenador:
Manel Djata
Secretário:
Bernardo Djibuguei
Tesoureira:
Naida Neves Trindade

O grupo de teatro do Oprimido GTO-Utchokooral é coordenado por Donatela Suncabé e Fatumata Sane.

UTCHOKOORAL está sediado na localidade de Suzana, realizando as suas ações em toda a Secção habitada pelos povos Felupes, Baiotes e Fulas, cujas atividades económicas predominantes são a agricultura, o comercio informal e a pesca.
UTCHOKOORAL está sediado na localidade de Suzana, realizando as suas ações em toda a Secção habitada pelos povos Felupes, Baiotes e Fulas, cujas atividades económicas predominantes são a agricultura, o comercio informal e a pesca.
#timeline_Ciclo_SCP668_Passos_02
1º CICLO (PASSOS 1 A 7) 1ºPASSO: PESQUISA PRELIMINAR 2ºPASSO: CURSO BÁSICO "KUMPUDURIS DI PAZ" 3ºPASSO: GESTÃO FINANCEIRA 4ºPASSO: INTERVENÇÕES AUTÓNOMAS 5ºPASSO: ENCENAÇÃO COM O TEATRO DO OPRIMIDO 6ºPASSO: ATELIÊ DE REFORÇO E AVALIAÇÃO 7ºPASSO: ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

1º CICLO (PASSOS 1 A 7)

Fase de criação e legalização das organizações de base. Centra-se na formação fundamental em análise de conflitos, mediação popular e cidadania ativa, culminando na constituição legal das 11 associações regionais de Kumpuduris di Paz.

O ciclo valoriza o aprender fazendo — da pesquisa preliminar às primeiras intervenções autónomas — e estabelece as bases éticas e metodológicas do movimento, na Secção de Suzana.

1ºPASSO: PESQUISA PRELIMINAR

Num djunta kabesa da equipa do GTO-Bissau com atores locais na Secção de Suzana, recorda-se o caminho percorrido, analisam-se juntos os conflitos e desafios atuais e imagina-se o futuro da paz na Guiné-Bissau, partilhando experiências, identificando forças e necessidades locais e lançando as bases para o trabalho em rede entre ativistas de base.

2ºPASSO: CURSO BÁSICO "KUMPUDURIS DI PAZ"

A formação realizada na Secção de Suzana, marca o início do ciclo de capacitação dos futuros mediadores comunitários. O curso aprofunda a compreensão dos conflitos e dos caminhos possíveis para a sua transformação, combinando fundamentos teóricos com saberes locais e práticas de mediação popular. Valoriza-se o uso de saberes e recursos tradicionais na construção de soluções sustentáveis.

Foram identificados cinco conflitos locais exemplares e analisadas as suas dimensões estruturais e culturais, que servem de base para o trabalho prático dos seguintes passos:

  1. Em toda a Secção: Delimitações entre Régulos e Comités
  2. Varela Yaal e Bila: Convivência interétnica
  3. Varela: Exploração da areia pesada e desenvolvimento comunitário
  4. Bulol: Gestão participativa da coisa pública (género alimentício)
  5. Elia e Arame: Delimitação territorial e relações entre aldeias

3ºPASSO: GESTÃO FINANCEIRA

Em Suzana, o grupo aprofunda a sua organização interna e assume compromissos claros para a realização das atividades práticas sobre os cinco conflitos escolhidos.

São debatidos e assinados os acordos de entendimento e as regras de administração responsável dos fundos do projeto, com acompanhamento da equipa técnico-administrativa do GTO-Bissau.

O grupo elege dois representantes para a gestão partilhada e transparente dos recursos, consolidando uma relação de confiança mútua e de corresponsabilidade.

4ºPASSO: INTERVENÇÕES AUTÓNOMAS

Na Secção de Suzana, o Grupo de Kumpuduris di Paz inicia a implementação das primeiras ações autónomas de mediação e transformação de conflitos, com base nos planos elaborados no passo anterior.

Na Secção de Suzana, os conflitos abordados dizem respeito às delimitações de autoridade entre régulos e comités em toda a secção, à convivência interétnica em Varela Yaal e Bila, à exploração de areia pesada e seu impacto no desenvolvimento comunitário em Varela, à gestão participativa de bens alimentares públicos em Bulol, bem como às questões de delimitação territorial e às relações entre as aldeias de Elia e Arame.

Em cada situação, o grupo procura promover o diálogo, a escuta mútua e a corresponsabilidade, substituindo soluções impostas por processos participativos e transparentes. A gestão das atividades e dos fundos segue o princípio da autonomia local e da prestação de contas, fortalecendo a capacidade do grupo em formação e das comunidades de enfrentar os seus próprios conflitos de forma construtiva e duradoura.

5ºPASSO: ENCENAÇÃO COM O TEATRO DO OPRIMIDO

GTO-Bissau e o grupo local selecionam um dos cinco conflitos para ser aprofundado através do Teatro do Oprimido. A formação inicial em Teatro Fórum conduz à criação coletiva da peça, com construção da cenografia, figurinos e músicas próprias.

Após as primeiras apresentações públicas, segue-se uma fase de aperfeiçoamento dramatúrgico e técnico, culminando na gravação da versão radiofónica.

A peça torna-se assim um recurso de sensibilização e diálogo, capaz de apoiar os processos comunitários de transformação de conflitos.

6ºPASSO: ATELIÊ DE REFORÇO E AVALIAÇÃO

A Equipa técnica de GTO-Bissau e o grupo local avaliam o caminho percorrido para compreender a evolução do grupo como mediadores comunitários. Revêm-se os cinco conflitos trabalhados, analisam-se os resultados alcançados e identificam-se os aspetos que requerem seguimento e reforço. A reflexão conjunta aprofunda a compreensão teórica da transformação de conflitos e das mudanças internas em cada Kumpudur, incluindo atitudes, responsabilidades e modos de colaboração. O grupo contribui para a construção coletiva de saberes sobre mediação popular e participa na definição de princípios orientadores e de um código de conduta comum para os Kumpuduris di Paz.

7ºPASSO: ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

O grupo de Kumpuduris di Paz Utchokooral, realiza a sua Assembleia Constituinte, debatendo e aprovando os Estatutos que orientam o funcionamento da organização.

Com o apoio do GTO-Bissau, inicia-se o processo de legalização através de escritura pública e publicação no Boletim Oficial.

As aprendizagens adquiridas são aplicadas noutros espaços sociais e profissionais, através da mediação popular de conflitos emergentes nas comunidades. O grupo elege os seus órgãos internos com equilíbrio de género e põe em prática o princípio da separação de poderes entre a Coordenação executiva e o Conselho de Coordenação deliberativo, reforçando a transparência e a legitimidade das suas ações.

Canoa amarela

Estruturas sociais constituintes

A Assembleia Geral Constituinte foi realizada no dia 2 de Março de 2017 em Suzana, concedeu um mandato de dois anos (2017 - 2019) às seguintes estruturas:

Canoa verde

Conselho de Coordenação

Presidente:
Naida Neves Trindade
Vice-Presidente:
Bernardo Djibuguei
Secretário:
Orlando Beinha Namara

Canoa vermelha

Coordenação

Coordenador:
Armando João Dos Santos
Secretária:
Paula De Pina Pereira
Tesoureiro/a:
Manuel Djata
#timeline_Ciclo_SCP792_Passos_02
2º CICLO (PASSOS 8 A 14) 8ºPASSO: DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (I) 9ºPASSO: CAMINHADAS DE PAZ 10ºPASSO: ENCENAÇÃO GTO 11ºPASSO: DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (II) 12ºPASSO: TEATRO LEGISLATIVO 13ºPASSO: PÉ DI APOIO 14ºPASSO: PESQUISA E AÇÃO

2º CICLO (PASSOS 8 A 14)

Etapa de consolidação organizacional e fortalecimento da rede. As associações aprofundam a sua estrutura interna, promovem campanhas públicas e introduzem novas metodologias, como o Teatro Legislativo e a investigação-ação sobre cidadania eleitoral.

O ciclo reforça a credibilidade e visibilidade pública dos Kumpuduris, ampliando o diálogo entre sociedade civil, Estado e comunidades locais.

8ºPASSO: DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (I)

Em Suzana, o GTO-Bissau realiza, com o GKP Utchokooral e seu GTO, um ateliê de consolidação e planificação da nova fase do Projeto Fórum de Paz. Analisa-se o funcionamento interno da organização, os seus estatutos e práticas de gestão, e identificam-se necessidades de apoio técnico e formativo.

Em contacto com parceiros locais — administração, CAJ, SDS, autoridades tradicionais e religiosas — surgem novas ideias e desafios sobre o papel das organizações comunitárias num período eleitoral.

As discussões sobre liderança, cooperação e sustentabilidade abrem o novo ciclo de formação e planeamento conjunto.

9ºPASSO: CAMINHADAS DE PAZ

Após o trabalho de consolidação interna, o GTO-Bissau e o GKP UTCHOKOORAL realizam uma campanha pública de sensibilização e advocacia na Secção de Suzana. A caminhada de paz com as marionetas gigantes mobilizam centenas de participantes em Varela e Suzana, e celebram a presença ativa dos Kumpuduris di Paz no espaço público.

Durante as atividades, o Dossiê institucional — contendo estatutos, currículos de formação, documentação da abordagem dos cinco conflitos abordados durante a formação em mediação popular, memorandos de entendimento e recomendações — é entregue às autoridades regionais e parceiros locais, reforçando a visibilidade e a sustentabilidade da organização recém-legalizada.

10ºPASSO: ENCENAÇÃO GTO

Com base nas análises locais realizadas no 8.º passo, GTO-Bissau e UTCHOKOORAL desenvolvem um processo de criação teatral centrado nos desafios e tensões ligados às eleições e à vivência democrática na Secção de Suzana. O GTO UTCHOKOORAL encena a peça de Teatro do Oprimido Kada kim i livre inspirada em situações reais observadas durante as campanhas eleitorais.

11ºPASSO: DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (II)

Utchokooral realiza uma análise interna dos seus processos de gestão e participação, com acompanhamento técnico do GTO-Bissau. São revistos os regulamentos e práticas administrativas, e debatidos mecanismos para maior transparência e eficácia na tomada de decisões.

O processo culmina na renovação das suas próprias estruturas associativas, com a realização da assembleia geral e eleições dos órgãos, assegurando a continuidade legal e o fortalecimento institucional do grupo.

Paralelamente, o grupo participa na estruturação da rede informal RENA KU PAZ, criada para promover a cooperação e a troca de experiências entre os 11 Grupos de Kumpuduris di Paz.

Canoa amarela

Estruturas sociais constituintes

A 2ªAssembleia Geral Ordinária foi realizada no dia 6 de Janeiro de 2021 em Suzana, concedeu um mandato de dois anos (2017 - 2019) às seguintes estruturas:

Canoa verde

Conselho de Coordenação

Presidente:
José Djata
Vice-Presidente:
Donatella Suncabé
Secretário:
Afonso Djata

Canoa vermelha

Coordenação

Coordenador:
Orlando Beinha Namara
Secretário:
Pedro Sambu
Tesoureira:
Naida Neves Trindade

12ºPASSO: TEATRO LEGISLATIVO

O GKP Utchokooral participa na introdução da metodologia de Teatro Legislativo, a partir das primeiras peças de Teatro do Oprimido, criadas com base nos conflitos comunitários. Em diferentes aldeias da Secção de Suzana, são organizados apresentações de Teatro Fórum e ateliês com participação de representantes das comunidades, autoridades tradicionais e religiosas, estruturas locais do Estado e Centro de Acesso à Justiça (CAJ) competente.

As atividades são acompanhadas pelas rádios comunitárias e contam com o apoio dos e das Kuringas de GTO-Bissau. O processo cria uma experiência comparável entre todas as regiões e abre espaço para o aconselhamento mútuo e a formulação de propostas comuns para a transformação dos conflitos.

13ºPASSO: PÉ DI APOIO

Para garantir a continuidade das atividades, o GKP UTCHOKOORAL recebe apoio para o reforço da sua estrutura organizacional e logística.

São instaladas placas informativas em lugares estratégicos das áreas de intervenção, abertos contas bancárias para gestão de microfundos e adquiridas motorizadas com caixa de carga para deslocações e transporte de materiais. O grupo recebe ainda carimbo com o seu logotipo, pequeno equipamento de som e utensílios básicos para reuniões e eventos comunitários.

Estas medidas fortalecem a autonomia e a capacidade de execução do grupo nas ações de mediação e teatro comunitário.

14ºPASSO: PESQUISA E AÇÃO

O GKP UTCHOKOORAL participa numa ação nacional de investigação sobre a cidadania eleitoral e as experiências da democracia multipartidária na Guiné-Bissau. São formados cerca de vinte inquiridores regionais, integrados num total de duzentos Kumpuduris responsáveis pela recolha de dados em todo o país.

A formação aborda temas como migração interna, participação das mulheres na política e critérios para eleições livres, justas e transparentes.

Para ver os resultados específicos para a Região de Cacheu clique aqui

O estudo é acompanhado por especialistas do INEP e culmina na elaboração de uma publicação de síntese.

Em paralelo, o grupo organiza apresentações regionais e oficinas setoriais de Teatro Legislativo sobre os conflitos eleitorais identificados, promovendo debate público, assessoria jurídica e a criação de códigos de conduta locais para o processo eleitoral.